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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Cores do Outono




Hoje, às 20h.02 min, ocorre o Equinócio de Outono em Portugal. Os equinócios ocorrem nos meses de março e setembro, definindo as mudanças de estação. Em março, o equinócio marca o início da primavera no hemisfério norte e do outono no hemisfério sul. Em setembro ocorre o inverso, quando o equinócio marca o início do outono no hemisfério norte e da primavera no hemisfério sul. Assim, hoje oficialmente entramos no Outono!  :)

Eu gosto muito do Outono. A diversidade de cores quentes que passam a pintar as folhas e árvores dos jardins, tornam a natureza mágica e colorida. Vale a pena fazer um passeio a pé apreciando as cores da natureza e sentindo o vento fresco na cara.
O outono é tempo de castanhas e nozes, chá quente e bolinho e de ouvir o crepitar da lenha na lareira.
Gosto tanto!

Bem-vindo Outono!!!

M. M.


terça-feira, 20 de junho de 2017

A Floresta não dá votos

Fonte: rtp.pt
Não me queria pronunciar muito sobre o assunto da tragédia de Pedrogão Grande - Castanheira de Pêra - Figueiró dos Vinhos porque é um assunto particularmente sensível para mim. Contudo não consegui manter o silêncio.
Todos os anos temos inúmeros incêndios em território nacional. Acompanhamos nos telejornais e na impressa escrita a evolução e rescaldo dos incêndios. Compadecemos com quem perde bens. Choramos a floresta. E depois? Chegamos a outubro e terminou. Não se fala mais do assunto até ao verão seguinte. 
E é aqui que temos de refletir, porque aqui é que se encontra o grande problema. Onde estão as politicas florestais? (e não me refiro às escritas e sim às práticas).

Todos os anos acontece o mesmo. Numa área que sofreu um incêndio, nos 2 a 3 meses seguintes verifica-se a preparação dos terrenos para plantar eucaliptos. Acham, sinceramente, que é de quem aprendeu a lição? Não claro que não é! E onde está a fiscalização? E onde estão os municípios (ou o ICNF) a vigiar? Pois é. Nesta altura a floresta já não é importante. Nessa fase já perderam o interesse na floresta e sim nos negócios paralelos ao incêndios. Na venda da madeira queimada. Pois é... como o Francisco Lousã disse "A floresta não dá votos!".


E não se enganem... o problema não está nas celuloses. As propriedades geridas pelas celuloses não têm incêndios. Estas propriedades encontram-se limpas, com estradas corta-fogo e com áreas com plantações de espécies que travam a progressão do incêndio, além de estarem constantemente vigiadas por fiscais, por isso, aqui também não está o problema.

Vejamos, no incêndio de 2013 na serra do Caramulo, onde também se perderam vidas humanas, passado dois meses tínhamos os proprietários interessados em saber se podiam colocar ou não eucaliptos nos seus terrenos. No incêndio de 1986 na encosta da Serra do Caramulo (com uma geografia muito parecida com a área agora ardida), onde também morreram civis, nasceu um eucaliptal denso encosta acima. No ano passado essa área voltou a arder. E um ano depois o que podemos ver nas encostas??? Plantações de eucaliptos. Acham sinceramente que os nossos governantes, fiscalizadores e proprietários aprendem? 

Quando entre prevenção, vigilância, fiscalização e combate, o combate é que obtém o bolo maior do orçamento. Está tudo dito! Até podemos ter os melhores bombeiros mas se não temos equipas suficientes de sapadores para criar linhas corta-fogos, limpar zonas preocupantes e proteger a floresta, este cenário irá repetir-se ciclicamente. 

Fonte: rtp

Agora morreram mais de 60 pessoas. Será que é suficiente para mudar politicas, comportamentos e mentalidades? Quantos mais teremos de perder para começar a investir na prevenção. Na prevenção adequada está a solução. Politicas florestais, ordenamento florestal, plantação de espécies resistentes a incêndio, formação de equipas preventivas, formação escolar no âmbito da proteção florestal entre outras poderá ajudar na preservação da nossa floresta.




Para terminar... não nos podemos esquecer que os terrenos não são nossos. Nós apenas somos responsáveis por geri-los e deixá-los para as próximas gerações.

Tristemente,


M. M.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Pão lusitano

Após o último artigo sobre a bolota, resolvi deixar aqui a receita do pão de bolota. 


Farinha de Bolota

As bolotas devem ser apanhadas no Outono, após caírem das árvores (sobreiro, carvalho e azinheira). O fruto da azinheira é mais doce do que do sobreiro ou do carvalho, contudo, todos são passiveis de  fazer boa farinha para o pão.
Escolhe-se as bolotas, deixando de parte as que apresentem buracos ou sinais de contaminação por fungos e colocam-se em água. Os frutos que ficarem a boiar não se encontram em condições de cozinhar.
As bolotas seleccionadas colocam-se num tacho com água e sal e leva-se ao lume. Deixa-se cozer até a casca se soltar (algumas receitas aconselham a golpear a bolota outras receitas não).
Descascam-se e colocam-se na picadora para transformar em farinha.

Poderá congelar as bolotas depois de cozidas ou já em farinha, ambas as opções permitem uma posterior utilização segura.

Pão de Bolota

 Existem várias receitas na internet, mas optei pela do blog Horta Encantada.

100 ml de Azeite
750ml de água morna
500gr. de farinha de bolota 
1,5 kg de farinha de centeio sem fermento
60gr. de fermento de padeiro
sal a gosto
6 colheres de sopa de mel


1 - Misturar bem 1 kg de farinha de centeio com as 500 gr de farinha de bolota. 
2 - De seguida adicionar a água com o fermento e o sal misturado e amassar bem.
3 - Juntar o azeite e o mel e voltar a amassar para incorporar bem os ingredientes.
4 - Acrescentar mais um pouco de farinha caso seja necessário (até deixar de colar das mãos). 
5 - Deixar a massa repousar num local quente para levedar de um dia para o outro (aprox. 7 /8 horas).
6 - Tornar a amassar utilizando o resto, se necessário, da farinha  de centeio.
7 - Deixar a repousar durante mais um pouco (2 horas) para depois ir ao forno a cozer durante 1 hora a 120º, passando para 220ºC durante mais 40 minutos.
Esta receita poderá ser feita com castanhas em vez de bolotas.
Além da receita do pão de bolota, existem receitas de bolachas de bolotas, sopa de bolotas ou bolotas assadas.


Bons Cozinhados,

M.M.


O segredo é a Bolota

Ontem, começei o dia a ler um artigo no site da Quercus e fiquei a saber que era o Dia Mundial da BolotaDescobri também que este fruto tem um enorme potencial que, de momento, é pouco valorizado no nosso país, sendo mesmo um fruto desprezado na nossa alimentação, estando associado à dieta dos porcos, principalmente no Alentejo, onde a carne de porco alimentado por bolotas é bastante valorizada.
Despertou-me a curiosidade e fiz uma pesquisa sobre o assunto. Fiquei a saber que nem sempre foi assim. Durante vários séculos a bolota fazia parte ativa da alimentação de várias culturas, como a celta ou a grega. Com um forte valor nutricional, a bolota era utilizada na alimentação dos guerreiros, sendo mesmo considerada o alimento dos homens invencíveis, na Antiguidade Grega. Já os lusitanos e os outros povos pré-romanos da Península Ibérica faziam farinha das bolotas para fazer o pão que, ainda hoje é feito.
O uso da bolota na alimentação só caiu em desuso após a grande guerra, quando houve escassez e racionamento de cereais. A população recorria ao que havia em maior abundância, fazendo principalmente farinha para o pão. Em época de fome, Salazar quis fazer do Alentejo o celeiro da Europa, os cereais de crescimento rápido vieram substituir a bolota. Associada a tempos de fome e dificuldades, a bolota foi sendo reservada para os animais, deixando de ser utilizada de forma ativa.

Mas o que é a bolota?
A bolota é o fruto produzido por carvalhos, azinheiras e sobreiros. É um fruto seco abundante em Portugal, apresentando vários benefícios nutricionais, sobretudo para pacientes celíacos, já que é rico em fibra e proteína mas não tem glúten. Apresenta um alto poder antioxidante, tendo uma gordura semelhante à do azeite, possui alguns compostos que podem ajudar ao combate de doenças como o cancro e o Alzheimer.

Hoje em dia, já existem algumas receitas em que a bolota é a estrela. O chef Pedro Mendes publicou o livro “O Renascer da Bolota”, onde apresenta algumas sugestões para incorporar este alimento na nossa alimentação. Também a Quercus tem uma publicação sobre Frutos Silvestres Comestíveis onde a bolota também se encontra referida. 
Contudo, os grandes impulsionadores da bolota são os responsáveis pelo blog bologta: a bolota que tem um blog. Desde 2009 que promovem todo o tipo de atividades ligadas a bolota, tendo mesmo sido os “fundadores” do dia Nacional da Bolota. Todo o trabalho desempenhado é de valorizar. Responsáveis por iniciativas ligadas a preservação da floresta portuguesa, nomeadamente de espécies autóctones do nosso País, como a floresta de carvalho, estudam e acompanham a evolução da floresta, além de promoverem e potenciarem o seu potencial económico. Reeditaram recentemente o Manual da Bolota, onde descrevem todas as suas iniciativas, fomentando mais uma vez a preservação do meio ambiente. É um excelente guia para quem quer plantar carvalhos / semear bolotas.


Como sabem, no âmbito do grande incêndio do Caramulo de 2013, foram desenvolvidas inúmeras atividades, entre elas a plantação de sobreiros e carvalhos na nossa serra, como podem ver aqui.
Plantação 2014 - Carvalhinho


Saudações Ambientais,

M.M.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Alterações Climáticas em BD

Estava eu a ver as noticias (Sim!!! Ás vezes consigo ver as noticias), quando vi uma reportagem sobre a apresentação de um livro sobre o impacto das alterações climáticas em Portugal! Ahhh!  E não é um livro qualquer... é um livro em banda desenhada! Fiquei logo curiosa e fui pesquisar, afinal iniciativas como esta são um pouco escassas por cá! 

O livro retrata alguns acontecimentos relacionados com as alterações do clima, de forma didática. O livro poderá ser descarregado gratuitamente do site (http://ppl.com.pt/pt/prj/Portugal-2055-BD) embora o objetivo seja angariar fundos para imprimir alguns exemplares e distribuir por diversas entidades como escolas, bibliotecas, organizações de ambiente, apoiantes e autores do projecto.


Mais uma excelente iniciativa para sensibilizar pequenos e graúdos! :)


M. M.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Caramulo... o verde veste-se de branco!





O mês de Fevereiro trouxe o manto branco ao distrito de Viseu... e, a Serra do Caramulo não foi excepção. Neve, muita neve... flocos brancos e fofinhos iniciaram a queda ao inicio da tarde de ontem e não deram descanso até alterarem o tom normal da serra. Com eles veio o "frio de rachar" como tão bem se caracteriza na gíria portuguesa e que eu dispensava, aqui para nós! 

Claro que na Serra do Caramulo não é incomum nevar... todos os anos os flocos de neve dão o ar da sua graça e aparecem para cumprimentar os serranos. Anormal é ser da forma que foi.. e que está a ser! A última vez que me lembro de nevar com esta dimensão remonta o inverno 2009-2010, em que a serra se cobriu 9 ou 10 vezes de branco... 

Então qual é a diferença, desta vez? 

A expansão geográfica e a quantidade de neve... há muitos anos que não me lembro de ver todas as encostas da montanha cobertas de neve uma vez que, normalmente atinge os locais mais altos e pouco mais! 
Quantidade de neve e intensidade assim, só me lembro em pequena... com uns 5 ou 6 anos, por isso, como podem ver, está a ser um fenómeno anormal até para um serra habituada ao manto branco.

Embora não seja grande fã de neve (é fria, traz frio, corta as estradas e, por vezes, a luz e o telefone, além de que normalmente cria gelo na estrada e faz com que seja difícil efetuar um movimentação a pé ou de carro com segurança) tenho de admitir que a paisagem fica lindíssima, por isso, vou partilhar convosco algumas imagens, embora já tenha partilhado no instagram!





   




 




Impressionante, não!? :) Não hesitem... e façam uma visita!!! :)

M. M.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Reflorestação 2015

Boas,

depois de um fim-de-semana agitado chegou a hora de fazer o balanço das actividades... 

Tal com anunciei aqui, no sábado, dia  21 de Março de 2015 realizou-se a II edição do projeto "Plantar O Caramulo" 2015. 
   Este ano, as áreas abrangidas pelo projeto foram na freguesia de Santiago de Besteiros, o Monte de São Marcos e, na freguesia do Guardão, o Parque dos Viveiros para onde o nosso grupo se deslocou. Ocorreu também uma ação, no âmbito particular, de limpeza e reflorestação por parte da empresa "Labesfal" no Carvalhinho, local que apadrinharam no passado dia 14 de Março de 2015.
Foto o Núcleo da GNR de Viseu
Aos promotores do evento, juntaram-se assim, particulares, alunos dos Agrupamentos Escolares do concelho, alunos da Escola Profissional, Núcleo de Proteção Ambiental do Destacamento Territorial da GNR de Santa Comba Dão e, como não poderia deixar de ser, o Movimento Cívico para a Reflorestação da Serra do Caramulo. Todos juntos, num sábado diferente, restituímos à Serra centenas de Árvores, nomeadamente, sobreiros e carvalhos.
Depois do briefing inicial o nosso grupo foi encaminhado para o terreno que se encontra abaixo do campo de futebol. Iniciámos a nossa tarefa com convicção e empenho, mas surpresas das surpresas, deparámo-nos, com inúmeros pinheirinhos e, alguns cedros, a furar as cinzas, representando sinais de regeneração natural das espécies!! :) Ficamos muito felizes e alegremente espantados, afinal a resposta da natureza se faz da melhor forma!
O saldo é sem dúvida positivo tanto pela aderência da comunidade como pela ação cívica em si. 
Resta-nos agora olhar para o futuro e pensar nos novos eventos que vão ocorrer, afinal o Movimento apadrinhou o "Posto de Vigia" e muito trabalho terá pela frente!


Saudações Ambientais


M.M.


sábado, 14 de março de 2015

Devolver o Verde ao Caramulo

Árvore 1 ano depois da plantação
A belíssima Serra do Caramulo, fustigada pelos incêndios no ano de 2013, vai comportar mais uma ação de reflorestação movida em parceria pelo “Movimento Cívico para a reflorestação da Serra do Caramulo”, Fundação Abel e João de Lacerda e Município de Tondela, na ação intitulada “Plantar O Caramulo" 2015.
 No ano 2014, na sua primeira edição, “Plantar o Caramulo” devolveu à Serra 5040 árvores, entre elas, Carvalho Negral, Carvalho Alvarinho, Medronheiro, Liquidambar e Bétulas, num total de 2.238,57€.
A ação “Plantar o Caramulo”, desenhada pelo Município de Tondela, tem como principal objetivo a plantação das áreas públicas ardidas, feita de forma ecologicamente sustentável, juntando, para isso, um conjunto alargado de parceiros constituídos por entidades públicas e privadas, como a Câmara Municipal de Tondela, a Proteção Civil ou a GNR.
O “Movimento Cívico para a reflorestação da Serra do Caramulo” encabeçado pela Fundação Abel e João de Lacerda, foi promotor de algumas ações de recolha de fundos, na edição de 2013 do Caramulo Motorfestival. Nessa ação foi possível, com o contributo de doações de anónimos e de algumas entidades, como o Museu do Caramulo, o Targa Clube, a APPAM, o Clube Honda S2000, a Sociedade do Caramulo, a Netsonda, entre outras. Durante as campanhas de angariação de fundos, Movimento Cívico conseguiu reunir 5.220,24€ destinados à reflorestação da Serra do Caramulo no ano 2013. Este valor foi então aplicado na ação desenvolvida a 22 de Março de 2014 e, do restante, parte será agora aplicado neste II Evento a realizar no dia 21 de Março de 2015.
Em 2015, as áreas disponíveis serão na freguesia de Santiago de Besteiros no Monte de São Marcos e na freguesia do Guardão no Parque dos Viveiros sendo o local de encontro no campo de futebol do Parque dos Viveiros.
A juntar ao projeto referido, o Município de Tondela e as Juntas de Freguesia do Guardão e de Santiago de Besteiros pretendem promover a ligação dos voluntários com as zonas de reflorestação, ao mesmo tempo que, pretendem sensibilizar a comunidade para a importância de CUIDAR da floresta. Assim, criou-se o movimento Padrinhos da Floresta”. Neste sentido, celebrou-se hoje um conjunto de protocolos entre o Município e Juntas de Freguesia com algumas entidades que se associaram a esta iniciativa apadrinhando uma zona ardida. O Movimento Cívico para a Reflorestação da Serra do Caramulo apadrinhou a zona do posto de vigia onde, no ano passado, alguns elementos colaboraram na reflorestação.
Contamos com a colaboração de muitos voluntários, animados e bem-dispostos, tal como aconteceu no ano anterior, em que nem a intempérie segurou os voluntários de todos os lados e de todas as idades em casa.

Esperamos a Serra cheia de gente, com vontade de colocar as mãos na terra e ajudar a dar um novo verde ao Caramulo. Desde que o tempo ajude e que a boa disposição predomine, o Caramulo promete momentos agradáveis e divertidos e agradece o empenho de todos nas restituição do seu outrora verde!


Cumprimentos Ambientais,

M.M.