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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Pote da Gratidão

No final de 2016, surgiram conversas sobre o balanço do ano. A AB faz uma retrospectiva do seu ano muito negativa e, para mim, erradamente, porque baseia-se apenas num acontecimento para condicionar a opinião sobre o ano inteiro. 

Eu, pelo contrário, sou mais optimista ou menos exigente e, acho que 2016 foi um bom ano. 2016 foi o ano que me tornei mãe, dando à minha vida um sentido diferente. Claro que este acontecimento não pode definir-me enquanto pessoa. porque, afinal, na vida e na sociedade nós assumimos vários papeis e não podemos renega-los, para não corrermos o risco de nos anularmos nas diferentes vertentes da nossa vida. Contudo, este ano foi o ano! O ano da Nonô e o ano em que a minha vida seguramente mudou! 

Tento sempre ver o copo meio cheio para me motivar, mesmo quando as perspectivas não são boas e acho que essa força mental torna-me mais positiva. Com o fim de 2016 e o início de 2017 li, na blogosfera, muitas coisas sobre resoluções pessoais para o novo ano , havendo muitas ideias bastante engraçadas. Assim, resolvi definir a minha resolução pessoal e colocar em prática uma ideia que, embora simples, é bastante interessante. Criei o meu Pote de Gratidão, ideia que li na página de facebook da Resiliência Humana. O objetivo é guardar as pequenas coisas que nos acontecem durante o dia e que nos fizeram sentir bem ou nos fizeram sorrir. 
Esta ideia é óptima para pessoas depressivas ou de auto-estima baixa e ajuda a alterar a forma de ver a vida. Ás vezes, pequenos momentos enchem-nos o coração. 
Dia 31 de dezembro espero ter o pote a abarrotar. Experimentem também! :)


M. M.



sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Crianças, homens e relações

Se há algo difícil nas relações é a chegada dos filhos... O impacto que isso tem nas relações atuais é muito maior do que o impacto que tinha há 20 ou 30 anos. Afinal, hoje em dia as mulheres deixaram de estar em casa... e não se conformam de perder o seu "eu" na totalidade. Sim, porque deixas de ser "a Joana", "a Rita" passas a ser "a mãe"! E não podes ser um mãe qualquer... tens de ser a "supermãe". 
Deixas de tentar conciliar a tua vida profissional e pessoal com um "Ser" para passares a conciliar com o ser e com o bebé! Sim, porque não se enganem... tudo acaba por cair em cima da mãe... Com desculpas como "tenho medo", " tens mais jeito", "tu é que dás de mamar", passas a organizar a tua vida e a vida do novo serzinho sozinha, enquanto que o outro leva a sua vidinha como se nada fosse... Continuando a ir ao futebol, aos carros e ao café, como se nada tivesse mudado! E têm uma certa razão! Para eles nada mudou... Continuam a organizar-se como se nada mais dependesse deles, além deles mesmos e das suas agendas. O resto é sempre secundário.
O teu cansaço não é cansaço... as tuas necessidades deixam de ser necessidades, porque tens outro ser que depende de ti e que tu pões sempre em primeiro lugar. Claro que quando olhas para a carinha do bebé.. tudo vale a pena... mas, por fracção de segundos pensas... "Fogo, queria tanto esquecer o mundo e pensar só em mim!", ou pelo menos ter alguém que pense em mim!
Companheirismo, ou a falta dele é algo que mata as relações... porque as mulheres não são supermulheres, nem supermães e precisam de ajuda, de apoio e, principalmente de carinho! De sentirem que apesar de aparentarem (e de se sentirem) um trapo, têm ali alguém que as valoriza. Que são realmente queridas e amadas! Uma relação é dar e receber, é partilhar e ceder. Como se costuma dizer "A balança não pode tender só para um lado". A relação após a chegada dos bebés carece de muita dedicação e trabalho! É preciso olhar para ela também como um bebé e cuidar dela, estima-la, alimenta-la, senão esmorece rapidamente!

Ser mãe é um grande desafio, mas ser mulher para além de mãe é um desafio ainda maior! 




M. M.


terça-feira, 8 de março de 2016

Dia Internacional da Mulher


O dia Internacional da Mulher é muito mais que um cartaz às "lutas feministas" como, por vezes, alguns setores sociais querem transparecer. Esta data, como muitas, para a sociedade atual não tem qualquer valor ou significado, representando para muita gente motivo para folga ou para festas. 

Tal como todas as outras datas, esta data representa um momento histórico e/ou valorização da igualdade de direitos.

 No final do século XIX surgiram, na Europa e nos Estados Unidos, muitas organizações feministas oriundas do setor operário que protestavam nas ruas devido às longas jornadas de trabalho, aos salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial e ao trabalho infantil comum nas fábricas. 
Associado às manifestações trabalhistas e condições de trabalho precárias surgiu a lenda de que no dia 8 de Março de 1857 um grupo de  trabalhadoras de uma fábrica de fiação realizou uma greve que teria tido consequências  desastrosas, tendo sido duramente reprimidas pela polícia ou mortas em um incêndio criminoso na fábrica, segundo diferentes versões do mito. Não há indícios de que isso tenha ocorrido e segundo  duas investigadoras, Liliane Kandel e Françoise Picq,  esta manifestação nunca aconteceu, não vem noticiada nem mencionada em qualquer jornal norte-americano da época.  Estas investigadoras afirmam que a lenda terá surgido de um grupo de feministas francesas que durante a Guerra Fria buscavam uma origem à comemoração desvinculada da luta socialista.

A primeira celebração do dia da mulher ocorreu a 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, quando um grupo de mulheres socialistas norte-americanas se manifestou pela igualdade dos direitos cívicos.  Nos anos seguintes surgiram manifestações e marchas em outros países europeus pelos mesmos princípios de luta, sendo usual ocorrerem durante a semana de comemorações da Comuna de Paris, no final do mês março. A estas manifestações civicas juntaram-se o movimento socialista, que lutava por igualdade de direitos económicos, sociais e trabalhistas e o movimento sufragista, que lutava por igualdade de direitos políticos. Em 1910, durante uma conferência internacional das mulheres estabeleceu-se o Dia Internacional da Mulher, celebrado no ano seguinte no dia 19 de março em vários países europeus através de grandes manifestações.O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações. 

Outro acontecimento que levou à criação do Dia Internacional da Mulher é associado a ocorrência de incêndio de grandes dimensões na fábrica da Triangle Shirtwaist em Nova Iorque, no 25 de março de 1911, onde mais de uma centena de pessoas (123 mulheres e 23 homens) morreram carbonizadas . A Triangle Company  empregava cerca de 600 trabalhadores, a maioria constituída por mulheres jovens imigrantes que trabalhavam 14 horas por dia, em semanas de trabalho de 60-72 horas costurando vestuário por modestos salários. A empresa era bastante mediática na época uma vez que teria sido alvo de uma grande greve de mulheres costureiras coordenadas pelo histórico sindicato International Ladies' Garment Workers' Union.  
Este incêndio iria contribuir para a criação critérios rigorosos sobre as condições de segurança no trabalho, uma vez que as condições da fábrica era muito precárias, bem como para o crescimento dos sindicatos que despoletavam como consequência da revolução industrial. 
Em 1917 ocorreram inúmeras manifestações feministas na Rússia  por melhores condições de trabalho e contra a entrada do pais na I Guerra Mundial que culminaram na ocorrência de alguns incidentes. A principal manifestação ocorreu a  8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando um grupo de operárias de São Petersburgo manifestaram-se contra as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra -  um protesto conhecido como "Pão e Paz".
Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

Assim devemos recordar quem lutou pelos direitos que hoje tomamos por adquiridos e que, para mim, não damos o devido valor. O Dia 8 março não é seguramente apenas um dia para as mulheres saírem e se divertirem, é muito mais que isso!!


M. M.